segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Figueira da Foz de outros tempos...


Figueira da Foz de outros tempos...
Praia da Claridade na baixa-mar, e o mar por ali a passear, ainda tão perto da cidade.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Praia da Cova - Sol de Inverno...

 Praia da Cova - Sol de Inverno.

Praia e ruas desertas, da terra hibernada.

Períodos de tempo, que se sucedem ordenadamente, todos os anos...

Pinhal pasmado, desmaiado de tanta inércia.

Mar revolto e predador sempre presente, mesmo num dia de sol de inverno.



quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Figueira da Foz Antiga - Doca de embarque, edição dos 120 anos da Casa Havanesa.

Como podereria eu, descrever, imaginar esse tempo já longínquo, nos princípios do século XX, numa visita dos nossos bisavós, depois de atravessarem a ponte a pé, vindos das areias da margem sul.
Nessa pequena viagem àquela cidade, de encanto e beleza, situada na foz do mondego.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Para a História da Cova Gala (XXXIX) - A Seca do Bacalhau na Morraceira

Outros tempos... 

A extinta "Seca do Bacalhau" da família Sotto Mayor na Morraceira, junto à antiga ponte da Figueira da Foz na margem sul do rio Mondego. 
Nos finais dos anos sessenta, princípios de setenta pude observar várias vezes, todo esse trabalho árduo, que se fazia sobretudo por mulheres do povo. 
Eram aos milhares, os bacalhaus que eram estendidos ao sol, e virados todos os dias, em numerosas e grandes bancadas apropriadas para a secagem do mesmo, e que tinha por objectivo de reitirar a água do peixe já salgado. 
Sendo este método, o mais antigo, na preservação de peixes e carnes... 
A velha ponte sobre o rio mondego, assim me obrigava, a presenciar toda esta azáfama que se vivia lá dentro na "Seca do Bacalhau", com os seus semáforos para regular o tráfego que era muito, não se podendo fazer nos dois sentidos. 
Longas esperas dentro da camioneta de transportes públicos, a Leiriense e mais tarde a Farreca. 
Era outra "seca", mas diferente. 
Quem é que não se lembra? 
A construção da nova ponte em março de 1982, veio então alterar todo este estado de coisas para melhor felizmente.

"Milhares de bacalhaus a secar... 
Tantas vidas sofridas de mar, sal ,frio e lágrimas também. 
Viagens longínquas, algumas sem regresso, deixando mulheres de negro sós, até ao fim... 
Filhos sem pai, simplesmente recordações e estórias para contar. 
Cidade, que me olhava ao longe na outra margem do rio, enquanto esperava por eles... 
Pai, avôs e irmãos, heróis desse tempo de menino." 

(João M.Fidalgo Pimentel)

Onde os bois lavram o mar

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Feliz Ano Novo de *2026*

Que a ponte da esperança para *2026*, vos faça encontrar a felicidade, que sempre procuraram.
Desejam Rosa Maria e João Fidalgo Pimentel, a todos familiares e amigos, por esse mundo fora...
Foto - Autor desconhecido

fora.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Pensamentos finais de uma tarde junto ao mar, na terra onde nasci.


Contrastes de um dia amortecido pelo outono, e o fulgor do verão dos meses de julho e agosto.
Em frente de mim, o barulho, a atrapalhação das ondas do mar, do vento e da chuva que teima em ficar...
Dezembro de tantos anos, que envelheceram alguma existência deste lugar...
Persisto em continuar olhando a sul, a velha nova "cidade da estaca" que dantes me punha a imaginar...
Passeio nas ruas e caminhos da agora "vila".
Anteontem, ainda corria pela aldeia que me fazia sonhar.
Amanhã passarei junto ao rio uma última vez, para depois partir e mais tarde, novamente recordar...

(João M.Fidalgo Pimentel)

sábado, 13 de dezembro de 2025

Para a História da Cova Gala (XXXVIII) - Era quase Natal... (Cova, Dezembro de 1964)

A estrada estava deserta, assim como o largo areal em frente, a noite fria de dezembro estava chegando depressa.
As pessoas estavam em casa reunidas em família.
Lá fora, o vento conseguia levantar alguma areia.
Areia que trazia à minha imaginação, os meus desejos Natalícios...
Havia algumas estrelas no céu e desenhos inventados por mim que as abraçavam.
Da minha janela contemplava e contava as árvores de Natal das casas em frente.
Às vezes ouvia o sino da capela ao longe...
Sonhava com o dia seguinte, e com o sapatinho cheio de brinquedos,que o "menino Jesus" me iria oferecer.
O meu pedido era um barco à vela.
Tinha reparado nele no mercado da Figueira, quando lá fui uma vez com a minha avó.
Estava numa montra, ao lado de outros grandes barcos, mas foi aquele que fizeram brilhar os meus olhos de menino.
Agora o Natal estava a chegar...
Umas semanas antes, depois da catequese do domingo, em que muita gente se confessou ao prior, eu também me confessei.
Foi ao "Cú de Borracha", como era conhecido na aldeia, e falei-lhe do barco à vela.
- O menino fala com os seus pais..., retorquiu com o seu tom de voz suave que chegava até a mim por entre os orifícios do confessório.
Na véspera de Natal minha mãe, tinha ido à mercearia do "Manel dos Caracois."
- Vou-me ali aviar num instante já venho, não saias de casa e não abras a porta a ninguém, que já é noite fechada.
Muitas vezes era a fiado...havia muitas famílias na Cova, que tinham necessidade de recorrer a este meio de venda a crédito.
O meu pai andava ao rio com o meu irmão, enquanto não partia para a Terra Nova no navio bacalhoeiro Fagundes.
Acabava de chegar a casa muito apressada, poisou o saco da loja em cima da mesa da cozinha, e disse-me para esperar na sala.
Entretanto, alguém bateu à porta.
Aproveitei a sua breve ausência...e fui espreitar no saco.
Fiquei deliciado com aquilo que vi!
Ouvi o até "amanhim" da Ti Maria, fechei o saco.
Rapidamente como um felino, voltei para onde estava antes.
- O bacalhau está caro como o fogo, tenho ali três postas, que comprei ontem, já chega para a gente !
- O teu pai e o teu irmão nunca mais chegam da Gala, já são quase sete horas.
- Pois é, disse acenando com a cabeça, disfarçando o meu nervosismo, por antes ter aberto o saco.
Entretanto o meu pai tinha chegado com o meu irmão.
Era uma noite fora do comum...
Mas eu só pensava no crepúsculo da manhã do dia seguinte, e no meu barquinho à vela que tinha pedido ao menino Jesus.
Depois de termos ceado, adormeci com os meus sonhos de criança de seis anos.
De manhãzinha cedo acordei.
Ainda todos dormiam e eu corri para o borralho onde estava o sapatinho.
Fiquei estupefacto com o que vi!
Bombons de chocolate envoltos em papel de prata de várias cores, aqueles que estavam no saco da loja!
O barquinho à vela não tinha navegado até junto a mim...
Percebi quem era o menino Jesus.
Apanhei alguns bombons.
O resto meti num tamanco velho da minha mãe em cima do borralho.
Nesse Natal tinha sido eu o menino Jesus.
Pus-me à janela, a comer bombons e a ver a areia que levantava, voava com o vento, e imaginava, o meu barquinho que chegava e partia com ela...

(João M.Fidalgo Pimentel - em "Memórias da minha infãncia")

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Pensamentos no entardecer...

 

Bateira deste povo, e do meu entardecer, rio silencioso da baixa-mar.
Águas quietas do meu fantasma, que me faz aparecer...
Na ilha de areia que renasce todos dias.
Influxo, que não tardará a chegar, afundando serenamente alguns pensamentos nas águas do rio.
Aragem tardia, que trouxe outros, e gaivotas também.

domingo, 7 de dezembro de 2025

Borda do rio da Gala, em tempos de transformação


Cada tempo tem o seu perfume, os seus lugares e uma idade, num ano singular irrepetível.
Com momentos marcantes de feridas deliciosas e cicatrizes que nos farão retornar sempre no tempo da ingenuidade e felicidade perdidas.
Cada tempo, faz de nós uma história diferente, única, reflectindo no futuro, muito do que fomos nesse espaço de vida anterior.
No entanto, com o tempo tudo parte, caras, vozes e lugares que se transformaram em recordações impagáveis e impalpaveis, que já ninguém consegue tocar ou comunicar.
Simplesmente imaginar...
Pequeno excerto da escrita (ainda não publicada) - "Borda do rio da Gala, em tempos de transformação".
(João M.Fidalgo Pimentel - 1991)

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Para a História da Cova Gala (VIII) - Cova de Lavos - Areias brancas do passado...

No tempo dos tamancos e pés descalços, na areia branca escaldante de um verão antigo.

Casas de madeira construídas sobre estacas, espalhadas pelo areal da terra península.
Ruas que ainda não existiam, mas todos se conheciam. Lutas, brigas de desespero por falta de pão.

Pele queimada pelo sol do sofrimento e resistência de querer sobreviver...
Pais e filhos adultos prematuros, na frente da vida, prontos para o mar...

Tarde de domingo junto à praia, onde muitos se encontravam, ao lado do casario. Barcos em terra, encostados às dunas esperavam.

Alguns homens sentados na areia, falavam e remendavam redes espalhadas pela praia quase deserta. Caminhos não haviam, inventavam-se todos os dias.

Todos sabiam quem partira e quando chegara. Figueira já cidade, ali tão perto na outra margem espreitava, imagem que encantava e fazia falar o povo.

A sul, na Cova de Lavos terra dos meus ancestrais, a vida continuava como sempre, junto ao mar, desde sempre quando chegámos aqui, depois de uma caminhada de séculos, no tempo de tantas vidas.

Abraço a esse mundo invisível e a todas essas vidas, que um dia por estas areias brancas passaram...

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Imagens da Minha Terra - Porto de Pesca da Figueira da Foz no Cabedelo.

Na margem sul do mondego, no Cabedelo, já perto da foz...
Ladeado a poente pelo braço esquerdo do mesmo rio, situa-se o Porto de Pesca Costeira da Figueira da Foz.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Cova Gala e as suas Casas

 


Cova Gala e as suas casas... Rua Adolfo Gonçalves Santiago,junto à entrada do Porto de Pesca no Cabedelo.

sábado, 1 de novembro de 2025

Para a História da Cova Gala (XXXIII) - Pesca da Arte - Gentes do mar de outros tempos...

 

Gentes de outros tempos, de mar salgado e areias brancas.
Pés nus, sol escaldante. 
Pegadas na areia, cicatrizes de sofrimento e luta desigual.
Ventos de outono que chegaram hoje e por lá passaram...
Trazem cartas e retratos sem remetente, sem destinatário.
São imagens do mar da minha aldeia.
Imagens do meu povo de ontem, de sempre...

sábado, 25 de outubro de 2025

Depois da bica...



 

Tantos anos depois...
O ritual mantem-se, o cafézinho no café de sempre depois do jantar.
Dos poucos cigarros que ainda fumo, um deles é queimado olhando o mar...
Aquela linha do horizonte que teima em reaparecer e me faz pensar noutras desiguais, já levado pelas noites de ontem.
Lástima, bagatela de vida esta, que por vezes nos priva do importante.
Insignificância a que nos botaram e obrigaram.
Todos gritam, curvados perante o fatalismo, protagonismo e tanta hipocrisia doentia.
Poucos aqueles, úteis, decentes e  convenientes para este País.
Horizontes, que nos faziam sonhar...uma utopia.

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

EVASÃO...


Ao entardecer, amanhecer, a qualquer momento, levados por essa brisa suave e antiga, que sopra do mar, galgando as dunas, nos transportando,
 com a nossa imaginação para outros mundos, outros lugares...
Viajando no destino de uma utopia, em que tudo seria perfeito, num sonho eterno, intemporal, sem bilhete de regresso.


terça-feira, 14 de outubro de 2025

Furacão Leslie - Ainda alguém se lembra?


Ainda alguém se lembra?

Fez ontem precisamente 7 anos, a 13 de outubro de 2018, que o Furacão Leslie causou enormes estragos na Cova e Gala.
Algo nunca antes visto por aqui e arredores.
A tempestade fez um desvio inesperado e não entrou por Lisboa, como estava previsto.
O "landfall" (toque em terra) foi registado na Figueira da Foz, no Cabedelo, às 22:10 horas, onde os ventos chegaram a atingir, máximos históricos.
As populações viveram longas horas de pânico, temendo o pior, as rajadas chegaram a atingir 176 km por hora.
A passagem do furacão Leslie pelo concelho da Figueira da Foz, provocou também grandes estragos na cidade, nomeadamente a queda de árvores e estruturas, além da invasão das avenidas junto ao mar por água e areia...

O Mar...da Cova.

O Mar...da Cova.
Praia da cova...teu mar é imenso,tem muitas estórias para contar.Quando era criança quis alcançar o teu fim...nos meus pensamentos.O teu horizonte era a minha amante longínqua...As dunas a cama aonde um dia me iria deitar contigo...

Que dia é hoje?

Só existem dois dias no ano,em que nada se deve fazer.
Um chama-se ontem,e o outro amanhã.
Por isso hoje é o dia para amar,crer,fazer e principalmente viver...

Ponte dos Arcos...na Gala

Ponte dos Arcos...na Gala
Velha Ponte dos Arcos...Ponte da minha infãncia.Tua vida chegou ao fim...mas a tua imagem ficará sempre em mim.Olhas o rio,como quem olha o espelho da vida.Já viste alguém nascer...quem sabe!Não evitas-te que junto a ti alguém morresse.

Praia da Cova...

Praia da Cova...
O perfume do teu mar...é o presente,foi o passado e será o futuro da minha existência...